17o Capítulo

Foi pouco o tempo, mas o suficiente para o capitão Norton ter observado seu próprio corpo, sem vida, ao lado do corpo de Sara.  Agora,  sentado de forma desconfortável em sua mesa, passeava os dedos contornando as bordas de uma pasta. Parecia ter receio do que encontraria. Jogou a pasta sobre a mesa. Era estranho. Pela primeira vez, em seus pensamentos brotavam remorso, pena, compaixão e outros sentimentos em relação às suas experiências e a ele mesmo.

Norton se aproximou da janela ao escutar o motor do avião WFT – 9060 decolar. <<Eles irão cuidar de você.>> E como que pressentisse algo, correu para sua mesa e segurou a pasta. Dirigiu-se, então, ao arquivo, de onde retirou uma ficha que constava “Marvin”. Além das informações sobre Marvin, havia uma foto que Norton guardou em seu bolso. Ele juntava à pasta amarela somente a ficha de dados e a devolvia ao arquivo.   

Foram questões de segundos, tempo necessário para que o capitão retornasse à posição desconfortável em que se encontrava na cadeira. Cerca de dez homens armados invadiram o gabinete, entre eles, o major Antoun: <<Capitão Norton, eu poderia imaginar muitas façanhas de sua parte, mas não esta. Trair o seu próprio projeto? Em uma atitude imbecil, o senhor jogou pelo ralo anos de pesquisa! Sabe o impacto que a sua irresponsabilidade pode gerar às FAD?>>

Norton se levantou firme, tinha plena consciência do que acontecia. << Major, eu faço das suas perguntas a minha resposta. A única irresponsabilidade foi confiar às FAD os meus anos de pesquisa. >> O Major ordenou que um os guardas apontasse a arma para Norton. <<Atire em mim, Major Antoun, o senhor sabe que este corpo aqui morre, mas lá fora, a minha vida já segue. >> Um repentino acesso de risos tomou conta de Norton, irritando profundamente o major. <<Soldado Ben, prenda-o imediatamente, leve-o daqui! Soldado Merli, quero esta sala revirada, encaminhe todos os arquivos para investigação!>> 

Após levar Norton para a prisão das FAD, o soldado Ben retornou ao gabinete do capitão à procura do major Antoun. <<Major, licença! Encontrei isto no bolso do prisioneiro. O maluco anda com a foto dele mesmo no bolso. Com sua permissão, me retiro.>> O Major Antoun pegou a fotografia e consentiu a sua saída. <<Desgraçado… Mas que desgraçado!>>

16o Capítulo

No barco, Wally e Div observavam a  ilha. <<Por mais bela que seja esta ilha, ela carrega uma força muito estranha.>> Comentava Wally enquanto montava o rádio. Div não concordava com o namorado, achava que a experiência de ficar à deriva é que soava estranha, logo, tudo na viagem se tornava estranho também. 

Quando nem esperavam, Knox se aproximava com o pequeno barco. <<Buenos días, Marujos! O nosso tenente Marvin pediu que os buscasse. Ele teme mais pela saúde mental de vocês do que pelo barco.>> Div respirou aliviada e enquanto se dirigia para o barco guiado por Knox, ouvira um grito que parecia vir da ilha. <<Vocês escutaram isso?>> Perguntava ela. Os três observavam atentamente os movimentos na ilha. <<Ali, ali! Naquela ponta, vejam, parece uma mulher…>> Supunha Wally. Todos concordavam que era uma pessoa correndo em direção ao acampamento improvisado. <<Knox, é melhor você voltar e checar o que está acontecendo, quem sabe nossos companheiros não precisem deste barco?>> Aconselhou  Wally. Knox concordou e remava, depositando a maior força que podia para ser veloz.

Na praia, Marvin não conseguia identificar aquela pessoa e quando iniciava correr ao seu encontro, foi impedido por Julie que o segurou. <<Marvin, pare! Com exceção do casal que está no barco e Knox que foi buscá-lo, nosso grupo está completo! Eu não impediria a tua ajuda, seja lá o que fosse essa coisa, se não tivéssemos passado por situações tão estranhas! >>

Marvin enxergava bem, era uma mulher, ela chorava muito enquanto se arrastejava na direção deles. Por dois segundos ele pensou em seguir os conselhos de sua mulher, mas o fardo daquela que rastejava na areia era tão grande que ele não aguentou e correu ao seu encontro. <<Marvin, Marvin… Marvin, não, nãoooo…>> Julie chorava compulsivamente, como se fosse uma despedida. Nath a tomou pela mão e a abraçou em seguida tentando acalmá-la enquanto reparava Marvin.

15o Capítulo

Enquanto Jim não retornava do passeio, Karl foi conhecer o centro histórico da pequena Juan Tomé, na companhia de Robalo e Cobinha, os caçulas de Mestre Badé. <<Mas o que faz mesmo um historiador?>> Perguntava Cobinha, que de história só conhecia a dos pescadores de sua vila.  Karl explicava que o seu trabalho era justamente provar a veracidade das histórias, como aquelas que os pescadores contavam em Juan Tomé. <<Então, seu Karl, faz favor de estudar a história da praia de Dingalós? O que nos contam é que ontem mesmo um besouro metálico sobrevoou toda a costa de Tchetchitchuan.>> Karl escutou atentamente a versão dos meninos e logo comparou aos acontecimentos de Floraça. Mas com a chegada da muséologa Martí, suas reflexões ficaram para mais tarde. <<Boa tarde, senhor Karl, é uma honra recebê-lo em nosso museu. Desculpe-me o atraso, vamos entrar?>>

Robalo e Cobinha, bem que tentaram escapar da visita ao museu, mas Karl fez questão de que os dois escutassem de Martí a história de Juan Tomé e, durante o passeio ao grande casarão, surpreenderam-se: como uma ilha tão pequena podia deter tanto conhecimento?

Enquanto Martí explicava aos meninos sobre o material utilizado nas redes de pesca, pelos primeiros moradores da Ilha,  Karl caminhava pelo museu. Nada ali parecia explicar o que vira na ilha vizinha, Floraça. E ele tinha certeza de que não deveria comentar nada com Martí, embora a vontade de partilhar seus pensamentos crescesse.

Karl parou diante de um painel com fotos em preto e branco; emcima, escrito: Grandes Pescas. Em sua maioria, eram de pescadores posando ao lado de enormes peixes. Uma seqüência retratava o esforço coletivo na beira da água, para puxar uma rede; outra foto, exibia pescadores ao lado de centenas de peixes; e na última imagem, Karl fixou a atenção: três mulheres dentro de um barco. A foto datava de 1429. <<Martí, por favor, venha até aqui…>> Karl pegou o celular para registrar a imagem e a data. A museóloga se aproximou, ele apontava para a foto. <<Martí, esta data está errada. Não existiam máquinas fotográficas em Dartan há 581 anos atrás…>>

Esse mistério também rondava Martí que, após estudar o papel e enviá–lo para diferentes análises,  constatava que o material realmente correspondia à época que fora identificada no verso. <<A única conclusão que eu pude chegar, Karl, é que deveria existir algum turista de Calandhras, em Juan Tomé.>> Nos tempos antigos, Calandhras era conhecida como a região mais avançada da história, mas logo  perderia o posto para Dartan. << Mesmo assim, Karl, ainda há algo mais curioso nesta fotografia. A imagem não perde a cor, permanece sempre nítida.>>

projectx_tice

14o Capítulo

projectx_dna

Sara prosseguia pelo corredor que parecia não ter fim. Antes de encontrar a primeira porta, uma sirene soou. Pensou em voltar para o gabinete do coronel Bert, mas quando percebeu, Norton já assumia a frente. <<Já?>> Ele acelerava o passo, enquanto gesticulava para que ela fizesse o mesmo. <<Senhorita April, preste muita atenção. Faça um esforço, guarde todas essas imagens – e tudo o mais que presenciar - na sua memória. Agora, vamos, corra!>> 

Ultrapassaram uma nova porta e Sara tropeçou em algo que parecia ser de carne e osso. <<Não pode ser… Capitão Norton, que tipo d…>>  Porém, não conseguiu completar o que tinha a falar. Norton puxou-a pelo braço, a fim de obrigá-la a andar mais rápido. <<Corra, senhorita, somente corra!>>

Percorriam uma sala escura. Sara sentia que o local tinha sido destruído. Aparelhos eletrônicos quebrados, peças espalhadas, embora não conseguisse ter certeza de nada, uma fumaça lhe cobria toda a visão. Sara pensava que o plano do seu possível avô parecia mesmo perfeito, o jovem capitão a conduzia com segurança.

Uma nova porta se abriu, foi quando Norton parou. <<Senhorita April, por favor, ali.>> Ele apontava para uma parede. Sara não entendeu bem, mas seguiu sua orientação. O capitão Norton apontou para um corpo que estava caído ao lado dela. <<Repare nele, olhe bem para ele!>> Sara tentava enxergar o seu rosto, mas a fumaça realmente ofuscava a visão. Ela então se agachou para aproximar-se mais do corpo.  Norton puxou uma espécie de arma. <<Veja, Senhorita April, guarde toda esta cena em sua memória, não se esqueça de nada, nem de mim.>> 

A mente de Sara não conseguia estabelecer nenhuma conexão. <<Capitão Norton, o senhor está morto…>> O corpo em questão era do próprio Norton. <<Quem é você? O que está acontecendo?>> Sara já ensaiava partir para cima do capitão, quando notou a arma apontada em sua direção.

<<Lembre-se, por mais estranho que pareça, eu não estou traindo sua confiança.>> O laser foi imediatamente disparado, atingindo em cheio o corpo de Sara que, sem vida caía ao chão. Ainda chocado, Norton ajoelhou-se perto dela, pedindo-lhe desculpas repetidamente. Mesmo desconcertado levantou-se, carregou os dois corpos – o que parecia ser o seu e o de Sara – por cima dos ombros. Seguiu, sem pressa, até a próxima porta, que já se encontrava aberta.

13o Capítulo

Quando o barco se aproximou da ilha, Marvin, Julie, Knox, Div, Wally, Val e Nath já haviam preparado um discurso que acalmasse os demais passageiros. O motor do barco estava quebrado e cada um, com suas diferentes habilidades, deveria ajudar uns aos outros até a chegada do socorro. Julie, Val e Nath tinham a missão de conversar com os passageiros mais tensos.

Knox jogou a âncora, enquanto Marvin soltava o pequeno bote que levaria os passageiros até a ilha. O tempo e a maré mais baixa facilitavam o deslocamento e, em menos de 1 hora, todos estariam em terra - exceto Wally e Div, que temendo o desaparecimento do barco, tornaram-se voluntários para consertar o rádio e contactar a guarda costeira o quanto antes. Div ficara ao lado do namorado, mais por companhia do que por gosto.

Na pequena ilha de Floraça, o receio de Marvin se esvaiu aos poucos. Tinha absoluta certeza de que tudo o que acontecera até então não passara de pura coincidência. E que o primeiro passo para a sobrevivência era montar uma força tarefa para suprir as necessidades fisiológicas. 

<<Mais uma vez, vou me apresentar. Meu nome é Marvin, tenente do Exército de Dartan, sou o segundo nome da área de tecnologia das Forças Armadas. Quero conhecê-los um por um por, descobrir as ferramentas e aptidões que cada um dispõe, para que nossa temporada em Floraça não se transforme em pesadelo. Peço que mantenham o voto de confiança. >> 

Julie escutava atentamente o marido, nunca  o tinha visto em ação. E olhando o céu, onde o sol já despontava, percebia que só agora, nesta viagem, tivera a oportunidade de melhor conhecê-lo. Mais até do que nos três anos de convivência na grande cidade.     

projetcx_personas1

12o Capítulo

projectx_juantome

Naquele dia, Tice e Jim não dormiram e quando o sol já batia forte na bela ilha de Juan Tomé, resolveram ir até o mar para se refrescar.  Jim falou sobre a sua paixão por caiaques enquanto Tice lhe contava o esporte que inventara quando pequena. <<Pego onda embaixo da água!>> Jim achava isso impossível. <<É sério, não ria, Jim. Quando a onda se forma, eu mergulho próximo da sua superficie, e o impulso dela me dá velocidade. Ah, não acredita?>> Ele afirmava que acreditava, mas que aquilo estava longe de ser um esporte, se parecia mais com uma brincadeira.

Por algum momento houve um silêncio. Jim não se conteve. Ele calculava que aquela menina iria contribuir muito para o entendimento do ocorrido em Floraça. << Já esteve em Floraça, Tice?>>  Algumas vezes, dizia ela, que não lhe contou nenhuma situação passada no ilhote. Jim insistia. E não com a mesma empolgação com que narrava a invenção de pegar onda embaixo da água, Tice trazia informações irrelevantes. Seus comentários não eram nem um pouco interessantes, nada semelhante aos assuntos que os deixaram acordados a madrugada inteira.  

<<Tice, em Floraça haviam seres tão estranhos quanto em Juan Tomé?>>  Ela ficou séria e comentou que já passava das 10h e seu estômago roncava. Jim a segurou e lhe implorou que contasse o que existia naquela ilha. <<Em Floraça há bichos de poucas espécies, mas a fauna marinha é a mesma de Juan Tomé, tem animais conhecidos e desconhecidos. Jim, Floraça é a ilha mais linda de Dartan.>>

<<Não, Tice, não… Floraça não é ilha mais linda de Dartan e sim a mais assustadora! Eu vi, eu sei parte de algo macabro. Me conta, o que é aquilo? Afinal, Tice, o que existe em Floraça?>>

11o Capítulo

71086641

<<Capitão Norton, eu não vou a lugar nenhum. Preciso de mais explicações. Afinal,  o que está acontecendo? >> Enquanto abria o armário metálico a um canto da sala, ele comentava que não havia mais tempo para  conversas. Sara tinha duas opções: seguir com ele ou retornar ao gabinete do coronel Bert. Norton jogou sobre a mesa algumas peças do uniforme amarelo. <<Aqui estão os uniformes da equipe de inspeção que comando. Nesse momento, eles atuam no entorno do Setor K. Sara, este setor foi onde aconteceu o acidente envolvendo o seu avô.>>  

Aquilo era demais para Sara, ela não podia embarcar na paranóia de um militar que nunca vira antes e de um avô que nunca existira. <<Se eu não for, o senhor vai sozinho, capitão Norton?>> Ele admitia que não poderia seguir sem ela, mas prometia explicar tudo quando houvesse uma brecha. <<Entenda que é a sua vida e a sua liberdade que estão comprometidas.>>

Norton lhe entregou o uniforme e um crachá de identificação. Mesmo contrariada, Sara começou a vestir aquele aparato. <<Ah! E lembre-se que seu nome agora é April, sua origem é Vazda.>>

O capitão carregava o uniforme debaixo do braço, quando saíram da sala. Foi aberta uma dezena de portas até chegar ao Setor L. Em pouco tempo, Sara e Norton estariam na zona restrita.

Quando se aproximavam de mais uma porta, Norton segurou os ombros de Sara e lhe pediu coragem e confiança. <<Porque está dizendo isso? O senhor não vai comigo?>> Norton precisava checar os detalhes fundamentais para o tempo de fuga deles ser o suficiente. <<Tenho que passar orientações falsas ao Coronel Bert. Caso contrário, em dois minutos ele nos encontraria em qualquer lugar da FAD. >>

Norton seguia apressado em direção ao gabinete do coronel. Sara pensou em segui-lo, mas desistiu, só restava confiar no capitão Norton. Agora, assumia sua nova identidade: April Smith, bacteriologista do Distrito de Vazda, convocada para a força tarefa das FAD.

10o Capítulo

No comando, Marvin havia testado todas as possibilidades de mudar a direção do barco, inclusive, desligando o motor. Mas as tentativas foram inúteis. <<Julie, você já calculou se pode haver alguém ou alguma coisa bizarra nos esperando naquela maldita ilha?!>> A mulher concordava, provavelmente o “besouro metálico” de Dingalós estava conectado às informações contraditórias sobre o comandante do barco, assim como o seu misterioso desaparecimento em alto mar. Julie tentou manter a calma, mas o medo ia aumentando conforme o barco se aproximava da enseada.

Marvin e Julie perceberam, então, que o motor começava a falhar e a embarcação prosseguia cada vez mais lenta. O vento vinha de encontro e, provavelmente, os manteria um pouco afastados da ilha. Mas não, mesmo sem motor e contra a corrente, o barco continuava em direção à bela Floraça. <<Julie, algo muito sério nos espera neste lugar e a gente precisa se defender. Me ajuda a pensar, temos 23 passageiros, além de nós. Convocaremos cinco pessoas para nos ajudar a controlar o medo e garantir a segurança de todos.>>

Marvin assumira uma nova postura: ao invés de se perder dentro do medo, resolvia combatê-lo. Ele e Julie percorreram o barco e selecionaram  cinco pessoas. Todas se encontravam reunidas na popa, entre elas, Knox, Div, Wally, Val e Nath.

9o Capítulo

Era madrugada em Juan Tomé e a festa não chegava perto do seu final. Enquanto Karl aparentemente se divertia, Jim fixava a atenção e os pensamentos na direção de Floraça. Volta e meia puxava o celular, observando a imagem capturada. Estava temeroso, acreditando que a qualquer momento a festa de Juan Tomé poderia acabar de forma trágica. Ao contrário do sigilo que combinara com o amigo, Jim sentia necessidade de contar para mestre Badé o que ocorrera naquela tarde.

<<Ei, o que você tanto olha nesse telefone?>> Era Tice, filha do mestre. Jim levara um susto, tentou disfarçar teclando alguns números e sinalizou com o telefone, como quem desistisse de ligar. <<Estou convencido de que não há sinal por aqui… Queria muito avisar meus pais que chegamos bem. Sabe como é…>> Tice sabia. Afinal, passara quatro anos cursando a faculdade na “cidade grande” e retornava quase todos os finais de semana para a ilha de Juan Tomé. <<O que você estuda, Tice?>>

A menina sentou perto de Jim e falou sobre seus planos: era bióloga, planejava instalar um centro de pesquisa de vidas marinhas em Juan Tomé. <<Você sabia que o Mar Rice tem a maior variedade de espécies de Dartan? Imagina quantos seres vivos ainda não foram catalogados! Desde pequena, tenho contato com animais que não existem nos livros da faculdade, nem nos catálogos da biblioteca. Temos um campo bastante fértil para a pesquisa em Juan Tomé.>>

Jim começou a se interessar pelo assunto e pedia que Tice descrevesse, pelo menos, um animal ainda não identificado pela ciência e que ela já tivesse visto na ilha. <<Promete que não vai rir de mim, Jim?>> Ele juntou os pés e jurou. Tice narrou alguns episódios, entre eles: o tubarão com cabeça de cobra e a cauda com várias camadas de pele; peixes com cabeça de dragão; e até seres vivos, invertebrados, com feições humanas. Por alguns minutos, Jim esquecera o episódio de Floraça e dava formas aos bichos descritos pela jovem.

8o Capítulo

Sara continuava aguardando na sala vazia. Há dois anos havia parado de fumar e, desde então, pela primeira vez, o que mais desejava era um cigarro. Bateram na porta. Nenhuma batida a mais, nem a menos. Foram exatamente cinco batidas. O capitão Norton entrou como um foguete, pedindo que a jovem confiasse nele e que seguisse suas orientações.  <<Capitão Norton, está havendo um grande mal-entendido. Preciso esclarecer algumas confusões que vocês, militares, estão criando. Não sou a pessoa que estão procurando…>> 

Fosse Sara quem fosse, neta ou não do capitão Collin, ela precisava entender que entrara ali para nunca mais sair. <<Senhorita Sara, acredite em mim, eu te conheço há mais tempo do que você imagina. Eu e seu avô sempre soubemos que este dia chegaria e, infelizmente, nunca pudemos evitar. Mas traçamos um plano, um plano teoricamente perfeito.>> Norton abriu o mapa sobre a mesa. <<Nossa base está incrustada numa área que representa 15% do território ocupado pela FAD (Força Aérea de Dartan), cuja extensão é de 10 mil quilômetros quadrados. As linhas traçadas em vermelho correspondem às zonas livres de operação militar; já as linhas em verde, são as zonas restritas. E só há uma maneira de sairmos daqui, Sara, atravessando a linha verde.>>

 

airspace_land

* * *

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.